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As Ondas do Café

Há quem diga que estamos na quarta onda, outros dizem que estamos na terceira, e há também quem fala em tempos de transição. Mas afinal, o que é que isso quer dizer?

Você que bebe café igual a gente mas, as vezes chega em uma cafeteria e vê as pessoas comentando e fica perdido meio que sem saber de fato onde está, com uma xícara na mão só observando e pensando que tomar café é difícil, vamos tentar descomplicar mais esse assunto:

As ondas do café são fases. Fases que determinam o que as pessoas estão fazendo, pensando e principalmente, como estão consumindo o café. É como contamos a história do consumo mundial e o que foi acontecendo com a xícara, com os locais, com as pessoas, com a torra, com a extração. Dentro de uma caneca de café existem muitas histórias e muitas relações implícitas. Dá pra gente explicar a história da humanidade atrás de um grão de café.

A primeira onda é o café consumido simplesmente por consumir, sem nos preocupar com o sabor, é o princípio de quando a bebida começou a circular o mundo.

Aí em 1970 veio o conceito revolucionário da Starbucks, decretando o começo da segunda onda, com um marketing muito bem feito, cafeterias que parecem uma sala de estar, um jeito de consumir moderno e que ganhou significado mundial, com lojas abrindo em todo canto, popularizando uma xícara com um produto que falava mais do que simplesmente um copo to-go.

A terceira onda é nos anos 2000, com o Specialty Coffee: cafeterias pequenas trazendo diferentes métodos de extração, baristas estudando técnicas, torrefações estudando perfis de torra, múltiplos sabores a serem explorados. A xícara começa a ficar complexa e a ser um potencial de novas descobertas, tanto para quem faz, tanto para quem consome.

Tanto se falou, tanto se fez, começamos a ver ciência no café e ele entrou em pesquisas, laboratórios e universidades. Química, biologia e física deram as mãos e eis que chegamos na quarta onda, onde é possível se fazer um laboratório em casa, você pode torrar seu próprio café, você monta sua água, você extrai, você realça o que mais gosta. Clubes de café verde estão se espalhando, mini torradores, kits para se estudar a água e os níveis de sais minerais que interferem no sabor estão sendo vendidos a um preço justo.

Gosto muito da metáfora da ‘onda do café’ para contar a história, porque exatamente como uma onda, uma não anula a outra, elas se propagam, se misturam e conectam. Cada vez que uma nova pessoa prova um café de qualidade uma transformação acontece. Uma xícara não mente, o sabor encanta, o palco principal é todo do café.

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