Diferenças Básicas Entre Espresso e Coado

Concentração. Em uma palavra é a concentração de propriedades extraídas, que na combinação entre pressão e temperaturas altas liberam mais facilmente a parte hidrossolúvel do café.

Mas qual escolher em qual momento? Vamos te mostrar rapidamente o que tem em cada um:

1) Cafeína

Quanto mais a água passa, mais libera. Estamos dizendo que quanto mais tempo de infusão, mais cafeína passa pra xícara. Pensa que um espresso caindo em 30 segundos e um filtrado caindo em 3min vamos ter, em média, a mesma quantidade de cafeína nas duas xícaras finais. Na sua opinião o que é mais agradável beber?

2) Proporção

Cuidado para começar o dia com um espresso, ainda mais se você for sensível e sentir dores de estômago (independente da qualidade do café, um espresso é intenso e nunca deixará de ser). Com a mesma quantidade de café é possível fazer um coado, usando filtro de papel, que para o café da manhã não te faz mal de forma alguma, pelo contrário, te ajuda a acordar e dar energia para começar bem o dia.

3) Sabor

Sabor se descreve, mas primeiro se sente. Depende muito do que você está procurando. Um mesmo café no espresso e no filtrado podem te apresentar as mesmas notas, mas um filtrado pode ser mais sensível, e um espresso mais explosivo. Por via de regra o espresso vai te proporcionar maior intensidade e o filtrado vai te trazer delicadeza e maior nuances para o seu paladar.

Como Nós Estamos Consumindo

Ou o que estamos comprando.

Nós estamos criando um mercado através de informação compartilhada, estamos reorganizando linhas estreitas entre consumidor e agricultura. Para um país que também produz o que consome estamos aceitando muito passivos tudo o que escolhemos colocar no carrinho de compras do mês.

A gente alimenta o que a gente consome. Na maioria das vezes não temos noção do nosso poder de compra e da quantidade de mãos que formam e transformam o que chamamos de produto final.

Estamos todos acostumados a achar que a quantidade de tempo de produção é curta, independente do produto, a gente só enxerga pronto. Tudo que está por trás está tão longe dos nossos olhos que nem prestamos atenção, mas precisamos mensurar e considerar bem mais do que o preço de custo porque conhecer o trabalho é poder escolher no que apostar.

Somos parte de um sistema e movimentamos o que não percebemos, mas ainda assim nossa participação é o que faz com que tudo aconteça, nós estamos alimentando o que? espero que boas ideias.

Saímos da Semana Internacional do Café nos sentindo parte de um mundo novo, claro que de tecnologias também, mas é de avaliação geral de se sentir vivo. Continuar tendo café implica em cuidar da natureza, prestar atenção de onde vem, como vive, o que faz parte do todo. Precisamos pensar em harmonia e sustentabilidade.

No café, estamos provocando um impacto significativo e poderoso no mercado interno e externo. Às vezes não temos consciência do poder que temos na mão, e é em um evento internacional de café que nos faz perceber o tamanho que realmente temos enquanto nação do café.

Quem toma uma vez café de qualidade não volta a consumir qualquer coisa. É um caminho de apreciação da bebida que aos poucos se descobre e sem querer fomos todos fisgados. E que bom que estamos aqui, não é mesmo?

As Ondas do Café

Há quem diga que estamos na quarta onda, outros dizem que estamos na terceira, e há também quem fala em tempos de transição. Mas afinal, o que é que isso quer dizer?

Você que bebe café igual a gente mas, as vezes chega em uma cafeteria e vê as pessoas comentando e fica perdido meio que sem saber de fato onde está, com uma xícara na mão só observando e pensando que tomar café é difícil, vamos tentar descomplicar mais esse assunto:

As ondas do café são fases. Fases que determinam o que as pessoas estão fazendo, pensando e principalmente, como estão consumindo o café. É como contamos a história do consumo mundial e o que foi acontecendo com a xícara, com os locais, com as pessoas, com a torra, com a extração. Dentro de uma caneca de café existem muitas histórias e muitas relações implícitas. Dá pra gente explicar a história da humanidade atrás de um grão de café.

A primeira onda é o café consumido simplesmente por consumir, sem nos preocupar com o sabor, é o princípio de quando a bebida começou a circular o mundo.

Aí em 1970 veio o conceito revolucionário da Starbucks, decretando o começo da segunda onda, com um marketing muito bem feito, cafeterias que parecem uma sala de estar, um jeito de consumir moderno e que ganhou significado mundial, com lojas abrindo em todo canto, popularizando uma xícara com um produto que falava mais do que simplesmente um copo to-go.

A terceira onda é nos anos 2000, com o Specialty Coffee: cafeterias pequenas trazendo diferentes métodos de extração, baristas estudando técnicas, torrefações estudando perfis de torra, múltiplos sabores a serem explorados. A xícara começa a ficar complexa e a ser um potencial de novas descobertas, tanto para quem faz, tanto para quem consome.

Tanto se falou, tanto se fez, começamos a ver ciência no café e ele entrou em pesquisas, laboratórios e universidades. Química, biologia e física deram as mãos e eis que chegamos na quarta onda, onde é possível se fazer um laboratório em casa, você pode torrar seu próprio café, você monta sua água, você extrai, você realça o que mais gosta. Clubes de café verde estão se espalhando, mini torradores, kits para se estudar a água e os níveis de sais minerais que interferem no sabor estão sendo vendidos a um preço justo.

Gosto muito da metáfora da ‘onda do café’ para contar a história, porque exatamente como uma onda, uma não anula a outra, elas se propagam, se misturam e conectam. Cada vez que uma nova pessoa prova um café de qualidade uma transformação acontece. Uma xícara não mente, o sabor encanta, o palco principal é todo do café.

O Que É Forte Para Você?

Sabor é o resultado entre gosto e aroma. Gosto é paladar.

O que você mastiga todo dia? Como escolhe o que comer e beber? O gosto da comida te agrada ou você coloca molho em tudo?

Forte. A maioria das pessoas que conheço tem em casa um pacotinho de um café Extra Forte, se não nem tomam café, dizem que é “chafé”.

Forte é intensidade? É um café encorpado? Com retrogosto persistente? Um blend entre arábica e robusta? O que tem de forte em uma xícara para você, sabe dizer?

Quando compramos um café da prateleira do mercado, na grande maioria das vezes estamos abrindo um blend. Mas um blend não de variedades do arábica, nesse caso é um blend de espécies: Arábica e Robusta.

Já provou alguma vez na vida um café 100% robusta? Ele é totalmente diferente do arábica e muitas das vezes o que a gente chama de forte em um café é a referência do corpo e sabor característicos do robusta, bem mais pesados e densos. Não podemos comparar o sabor das duas espécies, é como dizer que cachorro e gato são iguais, por isso não se assuste se o arábica parecer mais “leve”, ou se o sabor do robusta te parecer mais com o que os cafés comerciais te proporcionam.

Saber o que te agrada em uma xícara e mais, saber reparar o que você quer sentir dentro de todos os sabores disponíveis e dar a palavra certa para o que você sente em um café é importante para traçar seu tipo de café!

Variáveis de Uma Extração

Parte 1

Água. Temperatura da água. Fluxo. Altura do braço. Intensidade. Mão do barista. Doçura. Tempo. Xícara. Jarra. Método. Material do método. Moinho. Homogeneidade. Heterogeneidade. Café. Moedor. Temperatura do dia. Filtro. Concentração. Técnica de extração. Altura da bancada. Máquina. Contínuo. Shots. Acidez. Reação química. Granulometria. Chaleira. Ambiente. Variáveis solventes. Reações físicas.

Senhoras e senhores, depois dessa pequena lista posso afirmar: não é só fazer um cafezinho ali e tá pronto. Se você abriu a boca e experimentou uma gota de café especial é uma questão de tempo até você mesmo começar a anotar o que sentiu de diferente no sabor do café, simplesmente porque hoje o dia amanheceu chovendo mesmo se você fez tudo igualzinho ontem.

Em todas as outras bebidas que você encontrar no mundo nada vai se comparar a delicadeza de compreender o que acontece no passo a passo de filtrar um café. Café não vem em garrafinhas que é só abrir e servir, o que torna um desafio que esconde inclusive o que seu olho não vê. Assusta né?

Claro, as cafeteiras automáticas te entregam uma xícara pronta, mas e se você descobrisse que um mundo imenso de mais de 80 diferentes sabores te espera dentro de um pacotinho de café? E você num primeiro momento pode até achar um absurdo a gente querer dizer que é nesse nível, mas o bom é que uma xícara nunca mente! Sinta o sabor, comece aos poucos, logo menos você vai estar estarrecidamente preocupado com tudo aquilo ali e mais um pouco!

O que é um grão de café? Na torra a gente diz que o grão é um pequeno reator atômico, que se bem desenvolvido o paladar humano não distingue de maneira fácil o que tem ali dentro. O sabor do café é um mistério até para a ciência.

Tudo citado ali em cima tem um pré requisito: curiosidade. Até onde você vai quando alguma coisa te propõe novos horizontes? Fica aqui o convite pra você acompanhar com a gente. Fica assustado sim, e durma com esse novo barulho na sua cabeça. Prometo que vamos explicar cada uma das variáveis ali descritas.

Acessórios Para Baristas

O que é indispensável na vida de quem faz bons cafés? Seja na cafeteria ou na sua casa, sua xícara vai ser melhor ainda se tiver o material certo que proporciona uma extração dos sonhos. Só aprende sobre café fazendo café e separando um tempo para conhecer o grão que você está usando – Cada café reage de um jeito diferente.

Algumas dicas para seu dia a dia:

Não força a barra para fazer um filtro entrar onde ele não encaixa. O design tem motivo sério, e se é achatado, redondo, fundo, etc, é para favorecer um tipo de extração. Se você usa o Melitta tenha o filtro adequado a ele!

Fresquinho, gostoso, moído na hora, uma torra média.

  • Um pincel

Para limpeza do moinho. Nunca jogue água nele, isso danifica o funcionamento. Para limpar use um pincel nem tão macio nem tão rígido. Se trocar o café limpe antes de usar, e não deixe pó acumulando ali, higiene em primeiro lugar pra sua xícara não ficar confusa.

  • Chaleira e água

Precisamos nos preocupar em como a água cai no pó de café, e use água filtrada sempre.

  • Cuidado com o material dos utensílios que você escolheu

Na maioria das vezes usamos o plástico, cuidado para esse plástico não dar gosto, e se usar copinho lembre-se de que café é adsorvente, a molécula do café adere a outras muito fácil então contaminar com outros sabores acontece com mais frequência do que a gente imagina.

  • Se for fazer café o dia inteiro…

Use um avental, café respinga e a gente sempre sai carimbado.

  • No caso do espresso

Regular a máquina e o moinho é o básico, e é apanhando que a gente aprende, a dica principal é: Prove tudo o que você fizer, precisamos achar o melhor espresso antes de oferecer pra alguém tomar com a gente.

Faça sua extração, transforme seu café e compartilhe com a gente essa alegria dai quando postar use a nossa hashtag #wolffcafé

O Que Tem de Especial no Café Especial

As vezes as palavras nos assustam, e vejo isso com muita frequência quando a gente fala “café especial”. Parece que ele é muito bom para ser tomado por qualquer pessoa, chega a quase ser arrogante, mas é bem o contrário. É a certeza de que todos esses momentos pelos quais o café passou até chegar na sua casa foram todos muito bem cuidados.

Então antes de qualquer coisa: especial é ter cuidado com o que consumimos.

De especial mesmo é o carinho aplicado, porque não existe parte mais importante, na produção ou na xícara, passando pela torra, todos temos que estar empenhados para dar nosso melhor em cada momento se não ninguém toma café.

Falar de especial também quer dizer classificar, e de acordo com a classificação temos algumas regras para esse parâmetro ser atingido. Seguindo alguns protocolos e metodologias café especial é o qual atinge mais de 80 pontos na tabela SCA. Que no mínimo precisa apresentar doçura, consistência e finalização agradável.

Na hora de extrair isso ainda é mais desafiador, porque não é só pegar uma garrafa, abrir e servir no copo. Café te pede preparo, você vai abrir o pacotinho e começar um ritual para chegar em uma xícara harmônica, equilibrada e gostosa.

Café especial também quer dizer responsabilidade com a produção, com as vidas e relações por trás da xícara. Quer dizer que toda vez que tem um café especial nas suas mãos você tem a possibilidade de descobrir um mundo, porque é um café que te conta uma história, te pede atenção e é algo que nos encanta pela forma como se apresenta. Café especial é sempre um convite para você de bem estar e alegria instantânea.

VOCÊ SABIA?

O livro CAFÉ: Sabores, Segredos e Sensações está disponível para compra no nosso site, é um livro introdutório, para quem quer ver e ler o que é de fato um café de qualidade. No livro temos algumas fotos de documentos históricos, explicações de variedades do Arábica, algumas informações sobre regiões produtoras e algumas dicas de métodos de preparo.

O Que É Cafeína

Tomar café esperando que ele te dê energia é o que a maioria de nós faz, mas… de onde vem, o que acontece, como é possível? Você sabe o que é a cafeína antes de ser algo que te deixa acordado? 

Na parte biológica da planta, lá no cafeeiro, a função primordial da cafeína é a proteção natural do sistema, que auxilia no crescimento e maturação dos frutos. A cafeína age como um inseticida, liberando amargor como se fosse um aviso “o fruto não está totalmente maduro”.

Na maturação ideal dos frutos ainda existe cafeína, no Robusta o dobro da quantidade do Arábica. Importante pensar que como a cafeína é uma proteção natural e consequentemente amarga, dependendo de como você extrair o café esse amargor pode passar para a xícara, mas não é a cafeína a razão principal de todo e qualquer amargor.

A gente consegue ter índices altos de cafeína quando utilizamos temperaturas altas e tempo de infusão prolongado. Moer na hora claro, faz toda a diferença, porque a oxidação é outro fator que altera o sabor e traz amargor, gosto de remédio em um café não é normal. Café é para ser gostoso!

Faça testes de tempo de infusão diferentes, com cafés diferentes, e você vai perceber melhor como funciona fazendo café por você mesmo! Café coado tem mais cafeína que o espresso, e o café solúvel tem mais cafeína do que o espresso! Sabores intensos não estão diretamente relacionados a cafeína. E o que acontece com seu cérebro? Olha só:

Qual Café Tem Mais Cafeína?

 

 

Muito comum alguém chegar na cafeteria e na hora de escolher o café que vai tomar dizer: me dá o qual tem mais cafeína? Preciso ficar elétrico, dar um up na energia.

Mas é o café que tem mais cafeína? Como que a gente libera a cafeína de dentro do grão de café?

Para começarmos a entender sobre isso é necessário saber que se as opções de café forem todas da mesma espécie (no mais comum e mais agradável ao paladar encontramos com facilidade o Arábica) não vai mudar a quantidade de cafeína que o grão te oferece. Mas se for escolher entre Arábica e Robusta, essa segunda espécie tem o dobro de cafeína que a primeira.

A cafeína é amarga. Cuidado pro sabor não incomodar, café é pra ser agradável ao paladar! Por isso também que não é comum uma cafeteria oferecer variedades do Robusta.

Conseguimos mais cafeína quanto maior o tempo de infusão que o pó permanecer com a água quente, a influência da cafeína na xícara é totalmente variável com o método que for extraído esse café. Então ao contrário do que muitos pensam, o espresso não tem mais cafeína, pois leva apenas alguns segundos pra extração se completar.

Métodos de infusão como a Clever, a Aeropress ou a Prensa Francesa serão os mais indicados nesse caso.

VOCÊ SABIA?

A cafeína é uma proteção natural da planta antes de ser algo que influencia no seu metabolismo.

No Café: Observe e Viva

 

“Não sei se vivo ou se observo” uma vez li essa frase num livro e carrego ela comigo no bolso. Me pergunto isso sempre que olho pra alguém e esse alguém me permite observação. Se observo, vivo o outro, por poucos minutos que seja, mas vivo seus jeitos e me sinto viva por formas que talvez jamais tivesse imaginado serem possíveis, por simplesmente serem diferentes de mim e do que conheço. O que cada um de nós passa fazendo nas 24h vividas no dia a dia é o que nos torna quem somos, então cada um é um acúmulo. Se te observo permito me esquecer dos meus próprios acúmulos e atualizo minhas informações do que é que existe por aí além do que me limita a ser eu.

O café é o tipo de coisa que nos faz abrir essa porta, em algum momento, trabalhando com xícaras e xícaras entregues em uma tarde num balcão de cafeteria. Que enquanto trabalho não raro me esqueço e passo a viver o lugar e as pessoas que passam ali. Principalmente as pessoas e as formas de aproveitar um café:

‘um gole só, a pressa em forma de gente, mão agitada, nem senta, só troca duas palavras (quero café)  já com a cara dentro da xícara’

‘dois goles, do tipo tenho pressa mas me deixa sentir esse gosto aqui, gostaria muito de ficar e sentar só alguns minutos mas..’

‘três goles, sente o aroma, dá um suspiro, abre um sorriso, respira.’

Gosto mesmo é dos que sentam pra conversar, do café que é esse convite a essa observação distante de ser vivo em todas as possibilidades que não a minha. Essa observação que, por ser uma das bebidas mais dinâmicas do mundo, pode ser pano de fundo pra dar a notícia do século. Alegria e tristeza se fundem com tanta facilidade…

Aos cafés que são beijos e aos cafés que são abraços, ver a vida é tão maravilhoso quanto vivê-la.